sábado, 29 de janeiro de 2011

MonoTexto 10 : Espelho.

É o que o espelho me revela:
Tenho a aparência ensopada, pareço ter vindo da chuva
Cabelos, olhos e até as roupas
Pele branca, pálida, fria, solitária
Me vejo distante, não tenho como me encarar nos olhos
Estes mesmos que saem em busca do ambiente em que estão
De maneira tão, mas tão estranha que chama a atenção
Eu pareço estar morto
Na verdade eu tenho asma, a cada segundo suspirando por vida
Me recolho tentando achar as respostas nas núvens pela meia-noite
Procuro nessa imagem refletida agora, as asas que tenho certeza que estão aqui
Cadê? São invisiveis por um acaso?
Não fazem parte de minha fé, apenas de mim mesmo
Mostrando a diferença que ninguém consegue enchergar
Me fazendo abaixar a cabeça e simplesmente retornar para o meu quarto
A pé!
E me deixando, mais uma vez, com o espelho como única opção
Me obrigando a olhar cicatrizes, sedas superficiais e até algo singelo
Que pode ser tão falso quanto a natureza humana que tento aprender como uma criança imita um mímico
Talvez eu seja mesmo é obsecado por esse pedaço de vidro inútil pendurado na minha parede.

À sociedade


... E me colocaram à margem. E eu, sentando-me numa rocha, disse:
                      - É aqui mesmo que eu quero ficar!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

MonoTexto 09: Dança.

O meu desejo eu te provo que te quero
Provo com a vontade que me magnetiza a você pelos meus lábios
Com a necessidade que meu corpo tem de sentir o teu perto
O meu nariz que procura o teu cheiro e a minha língua que anseia o teu gosto
O que meus ouvidos captam de você soa como uma melodia tão gostosa
Meus olhos se fecham e recriam bobeirinhas que me arrancam sorrisos de vergonha
Minhas costas sonham com o teu abraço
E minhas mãos tremem quando te vejo a poucos metros
O coração samba e me tira a força das pernas e o ar
Me concede uma dança, apenas uma dança?

sábado, 15 de janeiro de 2011

MonoTexto 08: Eva (Mutilado).

E me cortou como uma lâmina fina e afiada
A dor de um espaço não preenchido durante uma vida inteira
Num mísero segundo e o peso da ausência do que não tive me esmagou por mais um minuto de eternidade
Tudo culpa dessa melodia maldita e doce
Que me acaba por lembrar do que tento ignorar dia-a-dia
Falta o açucar no meu suco de morango
Na verdade, sempre faltou
Falta o molho na massa da minha pizza
É, sempre faltou, na verdade
Um sorriso, bermuda, areia e um portão se abrindo
"Acostume-se à sua mutilação"
Eu apago e tento me levar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

MonoTexto 07: Parado.

Saí e esperei na calçada de casa, tínhamos combinado assim.
Calça jeans, camisa xadrez, all star e a mochila pesada
Mão direita no bolso e um guarda-chuva impedindo que me molhasse
Olhava de um canto a outro a rua ensopada
Pensei, verificando o que levava:
Uma foto tua, dois livros de planos escritos madrugadas a fora, três quilos de esperança, um frasco de sexo, e meio mundo de insegurança.
Peguei o celular e fiz a chamada:
"Alô, sabe que estou te esperando, né? Você vem?"

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

MonoTexto 06: Sublime.

Cada vez mais adentro, eu atinjo o meu avesso. Ou seria o avesso do meu avesso?
Ora sublime, ora corroído por minha mente traiçoeira.
Passo todos os dias por uma ponte, onde um fino abismo se arrasta e aprofunda logo mais abaixo.
Tento sorrir e ver cores.
Tento me despir de quem fui e já não quero mais.
Olho o mundo janela a fora, tento encontrar alguém
Que nada mais é do que eu mesmo.

Um Cartaz Educativo =)



Abrace essa ideia!!     =D