sexta-feira, 2 de abril de 2010

O voo da borboleta azul.

Lembro que deixei aquele maldito papel cair. Eu já estava preparada, então, o que acontece comigo? Tô deitada na cama e meu coração parece que vai explodir de tanta aflição. Prometi a mim mesma que, independentemente do resultado, iria viver da mesma forma que sempre vivi. Sem essas paráfrases das ideias de falsos poetas. "Viver como se fosse o último dia". Acabei me perguntando sobre essa frase. "Viver como se fosse o último dia"... Será mesmo que valeria apena no meu caso? Acordar e lembrar dessa maldita doença me consumindo pouco a pouco e sabendo que logo estaria morta? Creio que não. Não foi isso que sonhei pra mim. Eu sonhava em me casar e ser uma Amélia da vida. Estranho eu sonhar com isso. Sempre fui meio menino. Jogava bola e andava de bicicleta até os 14 anos. Já fazem 3 que não faço mais isso. Sinto falta. Mas a vida continua e preciso de um copo d'água.
Não quero que essas lágrimas que queimam em meus olhos caiam pelo meu rosto. Assim, terei que enxugá-las. E não quero isso. Queria ter coragem para ler aquele papel de novo, mas, é melhor deixar pra lá. Não vai fazer diferença. A rotina me espera. Amanhã vou à escola. Tenho que acabar tudo com o Benjamin, não posso deixá-lo sofrer com essa bomba. Ele tem sido um ótimo namorado, apesar de não sentir nada muito grande por ele. Apenas carinho e afeição. Ele me acolhe em seus braços e afaga meus cabelos quando brigo com mamãe. Às vezes tenho raiva dela. Ela sai à noite pra colocar comida na mesa e sinto como se eu fosse um peso na vida dela. Mas Benjamin diz que não, que todos os pais amam seus filhos. E o que ele diria de Josef Fritzl? Bem, o fato é que não sei como ele reagirá. Sei que ele gosta de mim. É muito romântico comigo e me protege sempre. É tão chato fazer isso. Era bom que eu sumisse agora, e mandasse tudo isso pro espaço. Mas não posso.
O tempo passou rápido e o intervalo já estava perto. Não saberia como abrir a boca e nem como mentir. Seria bom mentir? Hum... Acho melhor ir para a biblioteca. Vou ler um pouco. Deve ter algum livro engraçado lá. É engraçado como as pessoas me olham. Talvez seja minhas roupas ou o meu jeito de andar. Será que elas me olhariam assim se soubesse do meu câncer? De novo esses pensamentos... Tenho que me disciplinar. Estou vivendo normalmente. Mas, onde estarão os livros de piadas? Será que teria esse tipo de livro numa biblioteca de uma escola? Acho melhor não perguntar, vai que riam de mim e eu vire a chacota da escola...
Abri os olhos e estava na enfermaria. Maria veio me explicar o que aconteceu. Ela foi cuidadosa comigo desde que cheguei na escola. Já fazem 8 anos eu creio. Eu sempre me metia em brigas e ela cuidava de mim. Tem um instindo maternal muito bonito. Ela chegou perto e me disse que eu tinha desmaiado na biblioteca. Me perguntou se eu estava me alimentando bem. Respondi que sim, mesmo sabendo que essa resposta não saiu com tanta verdade pra enganá-la. Ah, eu tenho que viver como sempre vivi, essa é minha meta, não é mesmo? O que importa se forem mais 1, 2 ou 6 meses? Todo mundo vai ter que ir mesmo. O melhor é fazer o que sempre fiz, assim, não suspeitarão de nada.
Comecei a perceber hoje que meu corpo está indo ralo abaixo. Não aceitei fazer a quimioterapia. Não me deram boas chances e minha mãe não teria dinheiro pra pagar. Mas tenho que engordar, se não, começarão a falar. Vou comer alguma coisa. Algo que me deixe forte e um pouco mais gorda. Não muito, claro. O que seria bom pra engordar? Quase levei um susto ao me olhar no espelho agora. Preciso mesmo engordar. Não irei à escola nas próximas duas semanas. Está decidido.
Boas semanas estão sendo essas. Acho que consegui engordar um pouco e pegar um pouco mais de cor. Estava muito pálida e magra. Amanhã vou a escola. Tenho que terminar com o Benjamin. Me veio na cabeça em ser grossa e rude, dizer que ele não é homem pra mim. Mas penso no dia em que partir. Ele certamente ficará chatiado. Acho bom ter a última transa e depois terminar. Isso, farei isso. Agora, o que dizer? Bem, direi que quero um tempo para ficar só, pensar em mim um pouco. Ele vai compreender.
Em poucas horas estava no motel com Ben. Foi um pouco estranho, porque sabia que nunca mais estaria com ele assim, nos amando, nos sentindo. A noite foi ótima, mas tinha algo sério a fazer e não podia exitar. Disse do mesmo jeito que ensanhei enfrente ao espelho. Tenho a impressão que ficou até meio forçado. Mas, de todo o jeito eu fiz o que devia fazer, pena que ele não entendeu e quis derrubar o motel, mas já está tudo bem. O que me perturba é que está chegando mais perto. Não consigo mais me controlar, estou pensando demais e isso é como uma facada a cada minuto. Onde estão os esparadrapos?
Mais um dia na escola se acaba. Tento me destrair com a paisagem de chuva para não pensar...Ora, não estou mais me controlando como antes. Sinto que meu tempo está cada vez mais curto e todos já percebem. O que devo fazer? Melhor melhorar essa cara, se não mamãe percebe...
Eu ainda não contei a ela sobre o resultado dos exames. Acho melhor não contar. Se bem que, creio eu, ela não vai nem me dá bola. Ela nunca dá. Aprendi desde cedo a me virar sozinha, se não, já estava morta. Às vezes me revolto com isso, mas agora já não faz diferença. Tudo vai acabar em pouco tempo. Em pouco tempo. Maldito tempo. Queria viver tanta coisa ainda. Mas tenho que respirar, respirar.
Vi um filme hoje que me fez pensar, uma garota descobria que tinha aids e se matava para não sofrer. Achei o filme legal, pois não a colocava como uma criminosa por ter tirado a propria vida. Ela tomou veneno e o filme acabou com ela deitada no sofá. Foi bacana, teve uma música que adorei. Queria ouvir quando estiver morta. Me lembrei do Ben agora. Ele levaria embora esses pensamentos e me faria carinho nos cabelos. Mas, penso que me pareço muito com aquela garota do filme. Ela era bonita e bem puta. Mas não é nisso que me pareço com ela e sim em sua forma de pensar. Ela tomou o controle do que estava acontecendo. Acho que vou na mercearia.
Maldito vizinho intrometido. Tive que ir para casa, senão tudo estaria perdido. Comprei a corda mas não pude usá-la. Também, que burrice minha fazer isso na árvore da frente de casa. Bem, melhor assim, seria bem doloroso mesmo... O que eu faço? Não quero morrer como um rato nogento, então, veneno não. Huum. Quer saber? Vou deixar pra lá. Liguei a tv e tentei me destrair. Acordei com um tapa de mamãe, mandando eu ir para o quarto que ela tinha cliente na porta. Enquanto andava para o meu quarto, vi uma revista com uma matéria na capa "Manual do suicida", peguei e li deitada na cama. O leite já tinha acabado. Tomei a garrafa toda e não podia pegar mais. A maldita matéria só falava da família e blá blá blá.
Resolvi sair. Tomar um ar, sei lá. Não queria mais essas ideias. Andei por uns metros, já era tarde. Sentei na pracinha que estava vazia. Choveu um pouco, mas não saí dalí. Comecei a cantar "November Rain" dos Guns. Não sei cantar inglês direito, mas eu engano. Quando estava mais ou menos na parte "And it's hard to hold a candle/ In de cold november rain", apareceram três caras. Vieram por trás de mim e me agarrarm...Malditos estúpidos. Já não me basta a droga da doença. Tomara que eu não tenha pego nada, se bem, não faria diferença. Amanhã seria um bom dia, eu penso. Levanto dali, me limpo como posso e vou.
No caminho pra casa, pensei em utopias. Nos livros de filosofia, vi o significado. Sociedades perfeitas... Deus, a quem quero enganar? Meu assunto é futebol. Mas agora, minha cama está a minha espera. Era melhor eu ter ficado lá, sem leite mesmo. Não precisava ter passado por isso. Já foi, já se consumou e só me resta esquecer. Mamãe ainda estava com seu cliente em seu quarto, resolvi não fazer barulho. Fui ao banheiro, tomei um banho e fui dormir. Já na cama, estava cansada, mas meus pensamentos ainda eram muitos. Demorei para pegar no sono.
Acordei serena de manhã. Tive um sonho à noite bem real. Queria realizá-lo ainda hoje. Coloquei "The scientist" de coldplay e fui tomar café. Escutei a música o dia todo. Passei o resto da manhã no meu quarto e o começo da tarde no sofá, assistindo um pouco de tv. Já estava chegando a hora da realização do tal sonho. A música ainda tocava quando fui me trocar. Não levei nada além do dinheiro da passagem. Passei pela rua em que sempre vivi com o espírito leve. Olhei cada detalhe e sorri. Simplesmente sorri. As mesmas pessoas, os mesmos carros e os mesmos cachorros. Tudo como teria que ser. "The scientist" ainda estava na minha cabeça. O ônibus demorou um pouco, mas nada me afetaria hoje. A viagem toda eu fui observando as pessoas em suas vidas. Andavam apressadas, enquanto eu, estava calma, leve. Minha parada estava chegando.
Desci e fui direto para a areia. Sentir o quentezinho nos meus pés foi bom, muito bom. A areia fofa e ainda meio quente. O pôr-do-sol acontecia atrás de mim. Sentei-me e esperei um pouco. Sentir o cheiro da água do mar foi relaxante. Estava tudo tão calmo, parecia até câmera lenta naquele momento. As ondas indo e vindo, quebrando na areia. A espuma branquinha... E logo atrás, toda aquela imensidão. Era o visual perfeito. O sol já não estava no céu, que só tinha o brilho do crepúsculo, era o momento certo. Passo a passo a caminho do mar. Little by little. E assim cheguei próximo às ondas. A água estava morna, e a maré estava enchendo, quase fui arrastada, mas consegui me manter firme. Fui indo cada vez mais para o fundo, as ondas estavam bem fortes. Respirei fundo e mergulhei. Tentei ir o mais fundo que pude. Em um certo momento, aspirei com toda a força a àgua salgada para dentro dos meus pulmões. Foi doloroso no começo, meu corpo pesou e eu fui parar no fundo. Senti a areia em minhas costas, era tudo tão suave. Vi o brilho da superficie lá encima. Comecei a cantar. Já estava quase acabando, porque o sono já estava vindo. Eu balançava com a corrente submersa. Já não sentia mais quase nada do meu corpo. Já fazia parte do mar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A tal carta de tarô...


Sim, eu gosto dela. De todo um mundo de cartas místicas, a que revela a maior força do destino, da justiça e da vingança é A Roda da Fortuna. Carta número dez do baralho de tarô. Sei, eu sei que não acredito em misticismo besta, sei também que dou ouvidos a escritos de revistinhas de mulherzinha quando fala-se em horóscopo. Quem nunca leu, mesmo dizendo que não acredita? Mas a tal carta de tarô me faz refletir todo o poder dos enlaces da vida...

Dona Marina era uma mulher arrogante. Sim, fazia seus empregados de gato e sapato. Beata infeliz. Pregava o tempo todo suas doutrinas, mesmo sabendo que muitos que trabahavam para ela não seguia tais dogmas. Certa vez, humilhou em público a pobre garota que se prostituia. Tinha apenas dezoito anos, coitada! Não conseguiu ver outra alternativa para dupicar (E, em muitas noites, tripicar) a mixaria que Dona Marina a pagava. Disse que a menina era um lixo, uma desgraça que destruia lares. Calada ela estava e calada permaneceu. Apenas via-se as lágrimas caindo gota a gota. Um sussurro doloroso saía de sua garganta, pobre Lúcia. Aguentava firme todas as lâminas afiadas e cheias de veneno que escorria da boca daquela bruxa. Madita velha entrometida. Mal sabia ela que a roda nunca para. Ela dita os altos e baixos de tudo e todos. O tempo passou pouco a pouco para Lúcia, que já estava acostumada com as rabugices da velha beata. Estava finalizando um curso técnico que começara a estudar no final de novembro. A fábrica já não estava dando lucros e ela precisava se garantir. Pouco depois de sair da fábrica, arrnajou um bom emprego e saiu da vida nas ruas. Era o que ela mais queria. Seguiu seu caminho. Até esquecera a velha imbecil que a humilhava sempre que podia. Saindo de uma loja de calçados que já estava fechando, passou pela rua em que ganhava a noite. Não tinha feito amigas, pois eram rivais e também não queria guardar recordações daqueles dias de sofrimento. Pra não dizer que não tinha lembranças boas de alguém dali, lembrou-se de Tamara, que ficava por ali duas vezes por mês. Costumava trabalhar mais como acompanhante de luxo, mas pra ganhar um pouco mais, encarava as ruas. Andou um pouco mais devagar com o seu carro e deparou-se com uma cena que parecia não ser o que estava enchergando. Aquela menina de nariz empinado, filha daquela maltida senhora que a torturava estava alí, parada num poste com um cigarro no bico, fazendo ponto. Seu queixo veio ao chão. Lúcia não sabia o que pensar. Mas preferiu não dizer nada, apenas passou e viu que a roda da fortuna girava e girava...

Realmente, a roda gira e gira ao sabor da força do tempo. Sugiro cuidado. É, eu acredito no "aqui se faz, aqui se paga". Os caminhos se cruzam de formas diferentes, em situações diferentes. Tenho vontade de rir. O ser humano é burro (Não todos, claro!). Os ordinários não olham para frente quando pisam em uma pessoa. Ai, ai. Ela ainda tá girando, viu? E vai continuar. Como eu disse, sua força é o tempo. Movimenta situações e entrelaça o presente com o passado e o futuro. Faz refletir, sim. Olhar como somos fracos e desprotegidos dela. Esquecem, os burros ordinários, que não podem fugir ou tentar se esconder, ela te alcança...

"Aquele tolo garoto ainda olhava para Juliana com um olhar estranho. Ela não gostava dele. Ela era popular e cobiçada. Muito bonita, ela sabia. Sabia se vestir e tinha qualquer gato aos seus pés. Mas quele garoto chato... Arg. Ele tinha espinhas em todo o rosto. Era magro, raquítico, aparelhos horrorosos nos dentes. Não tinha o mínimo senso de se vestir. Parecia uma vassoura vestindo uma camisa extra G. Era um "CDF". Só vivia mergulhado em livros de assuntos que ninguém nunca ouviu falar. Ela sabia que ele gostava dela. Mas, quem ele pensava que era? RUM! Ela era a mais bonita da escola. Garoto idiota! Certa vez, estava no refeitório. Sua escola era integral, então ela almoçava lá. Tinha levado todo o seu almoço para a mesa. Estava comendo tranquila, colocando os "babados" em dia com suas amigas, quando sentiu uma pancada no braço e um liquido amarelo escorrer por sua roupa "carééérrrimaaa". Virou-se e viu aquele rosto esburacado pela acne e o brilhante aparelho em sua boca que esboçava um sorriso forçado pela situação. Ela não aguentou. O garoto foi abaixo com tantas palavras ásperas. Seu mundinho fraco, caiu com o peso das ofensas. Por um instante, a sua consciência pesou, mas logo se desfez disso e provou a si mesma que havia colocado aquele moleque no seu devido lugar. O tempo foi escorrendo pelos meses e anos. Breve a turma iria se formar. Estava preocupada com o que iria usar. Carregava o termo de mais linda desde que entrou na escola. Tinha que arrazar. Por um instante, lembrou-se do incidente no refeitório. Não soube por quê tinha recordado isso. Ele era um insignificante. Graças a Deus, ele nunca mais a importunara, não a olhava mais e nem tinha coragem de cruzar seu caminho. Para o bem dele, era melhor assim. Enfim, vestido escolhido, hora das unhas e cabelos. Tinha que estar impecável. No fim de tod uma produção, lá estava ela no festa de formatura. Era a rainha da turma do terceiro ano de 1999. Misturou-se sem deixar de ser notada por todos os presentes. Dançou com seus amigos e acabou percebendo que aquele garoto estava a encarando. Por um tempo, tentou deixar para lá, mas não deu. Quando ela estava indo em sua direção, ele simplesmente se levantou e foi embora. Só se acalmou quando o viu sair pela porta e não dar mais as caras. O tempo foi-se indo em seu curso. O combustível da roda está sempre aí. Agora, dez anos depois, ela estava numa balada. Suas amizades eram todas por interesse. Sabia que podia levar vantagem com sua belaza e educação. Apesar de ter um empreguinho numa loja de roupas de grife, não gostava de gente pobre. Tornou-se soberba. E, naquela balada, avistou um cara lindo. Alto, forte, cabelo espetadinho. Tinha um ótimo gosto para roupas e parecia ser refinado. Olhou-o com insistencia, até que ele percebeu sua investida. Retribuiu o olhar com um sorriso e ela passpu as mãos nos cabelos. Ele pegou um drink e foi até onde ela estava. Conversaram um pouco. Ela estava certa de que ele tinha gostado dela. Era isso sim, seus olhos diziam isso. Já no carro, começaram a conversar. Mas, mal sabia ela que ele a via como uma fútil, vulgar e oferecida. Aos poucos sua feição mudou, assim como seu tom de voz. Revelou quem era. Era o "CDF" que ela havia humilhado na escola. Com suas palavras, a fez ver quem ela não enchergava quando se olhava na frente do espelho. Fez perceber o que ela tinha feito com ele naquele refeitório não se fazia com ninguém. ele gostava dele. Já devia se dar por satisfeita, pela pessoa que ela é e sempre foi. Fútil e vulgar. Mostrou-a o quanto tinha subido na vida e mostrou também o que ela tinha ganhado com tanto ego dentro de sí. Ela se viu uma mosquinha no meio da estrada. Ele fez questão de deixála em casa. Olhou a simplicidade daquela residência e arrancou com o carro. Ela, agora, tinha noção do que tinha feito e do que era. Pobre coitada..."

Vítima alcançada, é hora da lição. Ah, a lição. Meche com a mente, enlouquece. Pode até provocar o suicídio. Muitos aprendem, se endireitam e começam a agir como se deve, já há outros... (risos) Não tem a mesma sorte. Terminam a sete palmos antes do tempo. O famoso paletó de madeira. Creio que ela não faça isso por diversão. O negócio é a lição em si. Fazer aprender. É o que se chama de escola da vida. Ditando, fazendo, mostrando. Muitas vezes, na mesma moeda, mas em outras...

"Vinícius era um moleque peralta, daqueles que enlouquecem qualquer criatura. Desde bem pequenino, tinha prazer no sadismo. Batia, paertava, queimava, matava. Era um psicopatinha. Ele adorava ver seuspequenos animalzinhos agonizando. Seja esmagados, queimados, afogados. Era sempre uma diversão. Seus pais não davam a mínima, apenas compravam um "substituto" quando seu filho acabava com o antigo. Todo dia era uma coisa nova. Esse garoto dos infernos cresceu. Já era um rapaz e não deixou o sadismo de lado. Isso aumentou. Só que, não se restringia aos animais. Tornou-se violento. Aos dezenove anos, já tinha 5 assassinatos nas costas e algumas ocorrências de tortura. Tinha saido da cadeia pois sua mãe era rica. Tentava não ver a natureza maldita si filho, tentava esquecer o que acontecera num passado próximo. Sabia que não eram cinco assassinatos. Pobre do senhor Everaldo, o seu marido! Mas ela era cega. Seu suposto amor de mãe a cegava. Não deixaria seu menino naquele lugar sujo. Foi enterrada dois dias depois de o abeas corpus ter saido. Não tinha dinheiro para dar a Vinícius... Depois da morte de sua mãe, ele fugiu. Sempre fazendo novas vítimas. Não tinha como parar. Era sua fonte de prazer. Ver a criatura implorar era sua diversão. Se escondeu numa cabana afastada. Se "divertindo" com os pequenos animais que caía nas armadilhas que ele colocava ao redor do lugar. Acendeu uma vela. Torturou dois pásaros e um esquilo. Viu eles queimarem. Adormeceu alí mesmo. Num sonho, ele estava cansado, com falta de ar em meio a fumaça. Acordou no meio de um incêndio. O fogo já consumia toda a casa. Não tinha por onde sair. Ajoelhou e rezou. Ah, idiota. Deus ouviria suas preces? O fogo estava o encurralando. Um milagre não iria acontecer. Em pouco tempo, já começava a consumir sua carne. Aquilo doía! Se debateu como nenhuma outra vítima sua havia feito. Sentiu cada parte sua se desfazer nas chamas. Um grito foi inevitável. Tentando aliviar mas já era tarde. Acabou-se em meio a madeira queimada..."

Ví. Ela faz, ela tem o poder. Tudo se paga, de uma forma ou de outra. Minha cabeça fica confusa às vezes. Tento descobrir e entender os tramites da vida e, consequentemente, da natureza dela para com os homens. Está encrustada nos jogos de adivihação, mas todo esse poder existe. Lembrar-se sempre: Estamos aqui para aprender, ensinar e fazer de cada tempinho que nos resta, a melhor coisa para nós. Ás vezes somos tolos, mas com um empurrãozinho, parendemos que somos tão vulneráveis como os demais presentes num lugar chamado matéria. Somos feitos da mesma forma, com os mesmos materiais. Sim, também sei que sou tão vulnerável quanto qualquer outra criatura, mas pelo menos, não esqueço disso. Ela tá aí. Gira. Gira. Gira.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A possibilidade da reescrita.

Sim, aqueles olhos estão me dando a atenção que não quero. Aqueles lábios se mechem e palavras são repassadas para expressarem alguma piadinha infeliz. Aqualas cabeças acompanham os meus passos, procurando por manifestações de algo que não tenho culpa. Tomara quem venham a ter torcicolo! Estão espalhadas pelas minhas trilhas. Olhares impiedosos que me atiram balas de indiferença. Meu escuto talvez me proteja, ou, para falar a verdade, talvez já me adaptei aos ferimentos ou isso já não é tão importante.
Eu sei, sei que são apenas figurantes na minha vida solitária. Parte de uma paisagem que eu não queria voltar a ver. Sei que não devo dar atenção, mas elas continuam. Sua curiosidade e malicia me enchergam. Me observam, falam, prendem-se a mim como sanguessugas. Comentários, comentários, comentários. Isso acaba me deixando sufocado, preso. Queria que isso fosse pelos ares. Oh, a rosa de hiroshima!
A liberdade que eu corro atrás como o essessial para uma vida humana, eu queria tê-la o quanto antes. Obter a comunicação com criaturas que falem minha língua, que entendam toda uma mente perturbada por zumbis que andam pelas ruas livremente, sedentos por vida alheia. Não suporto mais estar aqui.
Quero correr,sair e encontrar o meu lugar. Voar como um soberano, pairando pelos ares em busca de mim. Embusca da minha vida que se esvairiu neste lugar. Poder chorar e cantar as lamúrias de uma solidão passada, mesmo com o temor de que ela volte. Quero ter o direito de refazer tudo, recriar, reorganizar e esquecer. Ver o meu redor com outros olhos, outros sentimentos. Perceber quem está perto e esquecer aquelas criaturas ordinárias que um dia, perderam sua vida para se dedicar a dos outros. Anceio por isso, mas por enquanto, sentar-me e esperar é o melhor feito para mim. Talvez me esconda ou me mostre demais... Ou talvez não aguente a espera. Mas ainda sim, tenho esperanças. Sinto que o dia ainda chega. A liberdade está vindo!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nova fase,novo álbum.





Não, eu não surtei, apenas estou novo. Resolvi apagar tudo e refazer nos mínimos detalhes. Minha mudança é visível. Comportamento, aparência, fotos, personalidade... A gente cresce e se transforma. E com isso, as minhas formas de expressão, dentre eslas, as fotos. Elas estão diferentes sim, embora não tenham perdido o tom de melancolia e solidão. Mas elas mudaram. Arrisco falar em sofisticação, mesmo o álbum não estando pronto ainda. Terão um toque de cinema com os tags de filmes. Até agora, todas as que eu planejei estão de acordo com o que esperava.
Não vou mais usar o efeito filme do Scape (Programa de edição de fotos). As fotos ficam densas e para nova fase, quero um toque de naturalidade. Ainda assim, não abrirei mão do clima frio e seco. Solitário.
Fiz um suspense no orkut. Embora as pessoas não me visitem, apaguei todos os meus álbuns e fiz um outro. Quatro fotos apenas. Três mencionando o novo álbum e o porque de não o colocá-lo todo agora (De uma forma poética,claro) e um aparitivo (A foto acima). Uma foto que fará parte de "Vire-se e veja a alameda deserta".
O motivo do nome do álbum: Como mencionei anteriormente na postagem abaixo, eu me sinto perdido em mim. Uma sátira seria o meu interior igual a uma cidade numa tarde de domingo chuvosa. Ou seja, deserta. Me vejo perdido dentro dessa cidade, numa alameda deserta. Sentado na chuva... Enfim, foi essa a inspiração para o álbum.
Algumas pessoas se perguntam o porque. Eu pergunto o porque de tudo. Não sou de fazer poses "normalzinhas". Gosto de fazer disso um meio de expressão, já que, quem me vê na rua, não imagina minhas filosofias, minhas paixões, crenças e costumes. Lembro de uma amiga minha vir e me dizer a seguinte frase: "Lipe, você é uma jóia que tem que ser analisada de perto, porque se não, é muito fácil te confundir com bijouteria." Achei um exagero da parte dela, mas logo pensei: "Ela tem razão. Sou muito peculiar e por isso me acho um E.T. neste mundo." Não sou convencido. Não concordei com ela por puro ego, e sim por ver que se tratava de mim.
Meus álbuns e minhas postagens aqui revelam o meu ser. Um ser interno que não é mostrado. Que se apresenta aos poucos, com cautela e paciência e isso se chama expressão. Todo veiculo de comunicação pode ser usado com sensibilidade e criatividade e isso se torna arte. Não me considero um fotógrafo, apenas me traduzo em meio a paisagens e photoshops. Como diria Ana Carolina, é isso aí.

domingo, 29 de novembro de 2009

Alameda Deserta.





Saio de onde estou. Olho o relógio. Marca 5 da tarde. O pôr-do-sol já estaria bem visto, não fosse as nuvens que o encobrisse, fazendo a luz cair e toda essa avalanche aumentar. Vago pelas ruas, meus olhos captam cada imagem vazia que me cobram atenção. Às vezes fecho os olhos de vagar, talvez para amenizar, talvez para duplicar tudo o que transborda em mim. Cada gota do ambiente me reluz a solidão dos meus passos vagos. E continuo, rezando para não chegar e ter que deitar no vazio de uma cama grande, sozinho.
A chuva começa a cair. Vejo o crepúsculo quase inexistente pelas nuvens negras de chuva. Passo a passo, passo a passo. Vejo tudo se transformar em paisagem de chuva e me refletir nos caminhos por onde vou. É, agora as gotas escorrem pelo meu corpo. Meus cabelos ensopados respingam em meu rosto. Descem pelas bochechas até o queixo e caem ao sabor do vento. Minhas roupas estão mais pesadas agora. Mas ainda assim, não quero chegar, tudo vai se concretizar.
Essa cidade fria sou eu exatamente. Estou chuvoso, perdido e vazio. Estou sem direção em mim mesmo. Perdido em uma alameda deserta, sentado, na chuva. Esperando algum pedestre que conheça meus caminhos. Que me guie e me deixe seguro. Arg, toda essa fragilidade besta... Eu e minha alma de artista.
Mas o meu destino está chegando. Faltam poucos metros, poucos passos. A chuva ainda cai. As imagens ainda existem, os sentimentos também. Não creio que passem tão cedo.
Passo a passo. Abro a porta. Subo as escadas. Acendo as luzes e vejo tudo como as ruas por onde passei, vazio. Ligo a televisão, vou para a cozinha preparar algo. Talvez não seja tão ruim assim afinal...

domingo, 15 de novembro de 2009

São flores e declarações.





A postagem abaixo é uma reescrição de um texto que minha amiga Maria Eduarda escreveu em minha homenagem. Não imaginava isso dela. Eu sempre a vi como uma insensivel. Mas como o próprio título do texto afirma, nós mudamos!
Isso tudo é muito importante pra mim. Sou uma pessoa solitária. Às vezes por opção, às vezes por falta dela. Sou exigente nesse mundinho de cobras, futilidades vemos aos montes. Vejo muita gente sem noção das diferenças alheias, perguntando o porque das pessoas serem "estranhas". Mas como ela mesmo diz no fim do texto, eu sou estranho. Nós somos. Eu e ela temos uma parceria bonita, um sentimento um pelo outro.
O que importa somos nós. O que vemos somos nós. Estamos de mãos dadas. Talvez até amanhã ou, na mais provável das hipóteses, para sempre.
Ela tem seu jeito diferente, o que me cativa, pois odeio gente ordinária. Por incrível que pareça, nunca brigamos (Mesmo eu sendo tão prepotente, como dizem). Isso talvez seja o sinal de que isso não vai acabar. Nossos momentos estão guardados. Os melhores de nós. E, tenho absoluta certeza, que ainda virão mais e mais. Iremos lembrar disso daqui a uns anos. Iremos chorar e nos confortar. Ainda teremos um ao outro. Teimo em crer nisso. Teimo em sentir e ver o que estou sentindo se materializar nos seus dedos e correr pelo mundo virtual.
Eduarda, eu também te amo.

Nós crescemos, nós mudamos, nós escrevemos.

Meu nome é Eduarda, o dele é Felipe. Eu sou ela, e ele é ele.
Eu gosto delas, e ele gosta deles.
Eu moro na capital, ele no interior. Eu escrevo o mundo, ele se descreve. Eu o amo, e ele me ama!
As diferenças são de fato extremamente levadas em conta, mais a julgá-las de perto são apenas diferenças, meras insignificâncias que resumem a união de dois mundos, dois corpos, dois amigos, em um único contexto.
E são por tantos momentos, e palavras, que não o esquecerei nunca.
''Nós crescemos; nós mudamos; nós escrevemos'' - fiquei alguns minutos pensando quando me enviou isso -
Seria esse o nosso lema? Seria. Nós crescemos, e aprendemos com isso o amargo do mundo (e do doce também!) da sociedade em si, da importância da amizade. Nós mudamos, em prol desta mesma sociedade que reprimida: pune e impõe opiniões ofensivas. Nós escrevemos! Porque é a única coisa que nós resta a fazer de bom de puro e de inocente, pelos dias que se seguirão recheados de tantos devaneios e de tanta repressão.
Virão dias melhores, e com eles também virão dias piores, e estaremos escrevendo/nós escrevendo, um ao outro, e ao mundo que corre ao nosso redor, quem sabe, o mesmo mundo de que nós corremos atrás para que aconteça, seja descrito pelas nossas mãos e lida por todos os olhos que nos tripudiam todos os dias.

- Dedicado a Felipe Eduardo, o estranho menino sonhador do interior de Pernambuco.